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Minas Gerais regulamenta biogás, biometano e hidrogênio de baixo carbono e consolida marco estadual para a transição energética

Decreto publicado pelo Governo de Minas Gerais define diretrizes para novos investimentos, uso da infraestrutura de gás e fortalecimento da cadeia de energias renováveis

O Estado de Minas Gerais deu mais um passo estruturante na agenda de transição energética ao publicar o Decreto nº 49.172, de 9 de fevereiro de 2026, que regulamenta as políticas estaduais de biogás, biometano e hidrogênio de baixo carbono, além de estabelecer regras para o compartilhamento e integração da infraestrutura de gás canalizado.

A normativa, divulgada no Diário Oficial do Estado, detalha os instrumentos de implementação das leis estaduais voltadas a essas fontes energéticas e estabelece o arcabouço institucional necessário para desenvolver a cadeia produtiva, com apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG). Na prática, o decreto organiza competências, mecanismos de incentivo, regras de comercialização, exigências ambientais e parâmetros de segurança, oferecendo maior previsibilidade regulatória para investidores e agentes do setor.

O movimento posiciona Minas como um dos estados mais avançados do país na construção de políticas públicas voltadas às novas rotas tecnológicas da energia, especialmente em um contexto de crescente demanda por soluções de baixo carbono, segurança energética e diversificação da matriz.

Biogás e biometano ganham diretrizes operacionais

No caso do biogás e do biometano, o decreto regulamenta a Lei Estadual nº 24.396/2023, que tem como objetivo fomentar a cadeia produtiva e ampliar o uso dessas fontes renováveis. A nova normativa define como a política será executada na prática, estabelecendo diretrizes para licenciamento, incentivos econômicos, mecanismos de fomento, comercialização e padrões técnicos.

Com isso, Minas passa a contar com um modelo mais claro para estimular projetos ligados ao aproveitamento energético de resíduos agroindustriais, urbanos e de saneamento, um segmento visto como estratégico tanto para a descarbonização quanto para a economia circular.

Segundo dados do próprio governo estadual, Minas já possui 453 milhões de Nm³/ano de capacidade instalada em biogás, distribuídos em 359 empreendimentos em operação, o que representa cerca de 10% da produção nacional.

Primeira planta de biometano e novos projetos

O avanço regulatório acompanha a expansão concreta do setor no estado. Com apoio da Sede-MG e da agência vinculada Invest Minas, foi inaugurada em 2025 a primeira produtora de biometano de Minas, a Zeg Biogás, localizada em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, com investimento de R$ 78,6 milhões.

Além disso, dois novos produtores de biometano estão em fase de autorização junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, com unidades previstas para o município de Sabará e capacidade conjunta de 108 mil Nm³/dia.

A expectativa do governo é que o novo marco regulatório acelere a entrada de projetos desse tipo, especialmente em regiões com forte presença do agronegócio, setor sucroenergético e cadeias de proteína animal.

Hidrogênio de baixo carbono entra em fase de implementação

No campo do hidrogênio de baixo carbono, o decreto regulamenta a Lei Estadual nº 24.940/2024, que instituiu a Política Estadual de Hidrogênio Verde e Hidrogênio de Baixo Carbono. A norma detalha critérios técnicos, procedimentos de licenciamento, regras de certificação e mecanismos de estímulo econômico.

O objetivo central da política é ampliar a participação do hidrogênio na matriz energética estadual, reduzir emissões de gases de efeito estufa e estimular o desenvolvimento tecnológico, com foco em aplicações industriais, mobilidade pesada e armazenamento de energia.

A legislação também autoriza que empreendimentos do setor sejam reconhecidos como Empresas de Base Tecnológica, abrindo caminho para acesso a incentivos fiscais, linhas de crédito e programas de apoio à inovação.

Energia renovável como vetor de desenvolvimento

Ao comentar a publicação do decreto, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico destacou o papel estratégico da medida para a economia mineira.

“A formalização do decreto representa mais um passo para fortalecer o uso de energias renováveis em Minas. Aliado ao nosso destaque nacional na transição energética, temos certeza que a normativa vai contribuir para a criação de mais empregos e investimentos sustentáveis”, afirma Mila Corrêa da Costa.

A avaliação do governo é que a consolidação dessas políticas pode transformar Minas em um polo de referência nacional em biocombustíveis avançados e hidrogênio, atraindo projetos industriais de maior valor agregado e ampliando a competitividade do estado na nova economia de baixo carbono.

Mudança regulatória no gás canalizado

Outro ponto relevante do decreto é a reorganização institucional do setor de gás canalizado. Desde dezembro de 2025, a Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais passou a ser a responsável pelo controle e fiscalização dos serviços públicos de distribuição de gás, atribuição que antes cabia à Sede-MG.

O decreto estabelece que, durante o período de transição, a secretaria continuará prestando apoio técnico à agência reguladora na elaboração de atos normativos, garantindo continuidade da fiscalização e segurança jurídica para operadores e consumidores.

A medida reforça a separação entre formulação de políticas públicas e regulação econômica, alinhando Minas às melhores práticas institucionais observadas em mercados mais maduros.

Marco regulatório e atração de investimentos

Do ponto de vista setorial, o Decreto nº 49.172 consolida um ambiente mais previsível para investimentos em biogás, biometano, hidrogênio verde e infraestrutura de gás, temas centrais para a agenda energética brasileira na próxima década.

Com regras mais claras, integração entre políticas industriais e energéticas e estímulos explícitos à inovação, Minas Gerais busca se posicionar não apenas como consumidor dessas tecnologias, mas como protagonista na produção, desenvolvimento tecnológico e exportação de soluções de baixo carbono.

Em um cenário de transição energética cada vez mais orientado por segurança energética, descarbonização e competitividade industrial, o novo marco estadual tende a funcionar como um dos principais catalisadores de projetos estruturantes no Sudeste brasileiro.

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Azul pretende utilizar combustível renovável em seus voos no Brasil

Os discursos durante o Congresso Mercado Global de Carbono foram marcados por falas a respeito de sustentabilidade e inovação tecnológica para a otimização do uso da energia no país.

A companhia aérea Azul quer começar a utilizar biocombustíveis em seus voos no Brasil. Em conversas com fabricantes de aviões, a Azul demonstrou interesse em viabilizar a mistura de um Combustível de Aviação Sustentável (SAF – sigla em inglês) com o querosene de origem fóssil.

A informação foi dada pelo CEO da empresa, John Rodgerson, durante o Congresso Mercado Global de Carbono, organizado pela Petrobras e pelo Banco do Brasil. O CEO ainda destacou a potencialidade do Brasil na produção do SAF, que pode ser produzido por meio da atividade agropecuária, e criticou os preços dos combustíveis no país:

“Se nós usarmos o que temos no Brasil, alguns lugares têm três safras ao ano e podem produzir SAF. Podemos começar a abastecer nossas aeronaves em um preço quase igual ao que temos hoje [do querosene] (…) Já estou pagando o preço mais caro do mundo aqui no Brasil para abastecer nossas aeronaves.”

A Azul ainda pretende oferecer uma compensação aos seus clientes sobre a emissão de carbono em voos no Brasil. Segundo John Rodgerson, “em dois meses na Azul você vai poder fazer isso” e o custo adicional seria de 75 reais.

 

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Geração distribuída de fonte solar fotovoltaica dobrará até 2024, aponta Agência Internacional de Energia (AIE)

Relatório Renewables 2019 indica que a capacidade global de energia renovável deverá crescer 50% nos próximos cinco anos, um aumento de 1.200 gigawatts

A geração distribuída a partir de fonte solar fotovoltaica deve dobrar de capacidade até 2024, representando quase metade de todo o crescimento da capacidade de fornecimento de fonte solar fotovoltaica no planeta. A previsão faz parte do relatório Renewables 2019 da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgado nesta segunda-feira, 21. O relatório aponta perspectivas globais para fontes renováveis de energia nos próximos cinco anos.

O documento afirma que a capacidade global de energia renovável deverá crescer 50% nos cinco anos, um aumento de 1.200 gigawatts, o que é equivalente à atual capacidade total de geração de energia dos Estados Unidos. O aumento, diz o relatório, será impulsionado por redução de custos e esforços promovidos por políticas governamentais. A energia solar fotovoltaica representará 60% desse crescimento.

Com o novo quadro, as energia renováveis darão um salto na participação global de geração dos atuais 26% para 30% em 2024.

Hoje as cadeias de produção envolvidas na geração de energias renováveis já empregam mais de 10 milhões de pessoas no mundo, segundo relatório recente divulgado pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês).

A AIE lembra que o ganho de espaço das fontes renováveis na geração de energia no mundo votou a crescer no ano passado, interrompendo um período de quase duas décadas de estagnação. Mas frisa que o ritmo de expansão das fontes renováveis no suprimento de energia a nível mundial ainda é muito inferior ao necessário para cumprir as metas globais de energia sustentável.

“As energias renováveis ​​já são a segunda maior fonte de eletricidade do mundo”, disse Fatih Birol, diretor executivo da AIE sobre o relatório. “Mas sua implantação ainda precisa acelerar, se queremos alcançar metas de longo prazo para o clima, a qualidade do ar e o acesso à energia”, alertou.

Comércio e indústrias puxarão geração distribuída de fonte solar fotovoltaica

No horizonte da geração distribuída de fonte solar fotovoltaica, as aplicações comerciais e industriais devem puxar o crescimento na sua participação na matriz energética global até 2024, somando 3/4 das novas instalações.

Para a AIE, o custo de geração de eletricidade a partir de sistemas fotovoltaicos solares distribuídos já está abaixo dos preços de eletricidade no varejo na maioria dos países. A agência prevê que esses custos caiam de 15% a 35% até 2024, tornando a tecnologia mais atraente em todo o mundo.

Mas o documento alerta para a necessidade de reformas de regulação e tarifa para garantir que o crescimento da fonte solar distribuída seja sustentável. Segundo a AIE, o aumento descontrolado pode atrapalhar os mercados de eletricidade, aumentando custos do sistema, desafiando a integração da rede de fontes renováveis ​​e reduzindo as receitas de operadoras.

Incerteza regulatória e falta de integração entre sistemas entre os desafios

De acordo com a AIE, há três desafios principais que ainda precisam ser superados para acelerar a implementação de fontes renováveis. São a incerteza regulatória e política, os altos riscos aos investimentos e a falta de integração de sistemas de fonte solar e eólica.

A agência aponta que ajustes na regulação somado ao apoio de políticas públicas direcionadas poderia elevar a capacidade de crescimento da geração distribuída de fonte solar fotovoltaica acima de 600 GW até 2024, o que é quase o dobro da capacidade total de geração do Japão hoje. Mas esse crescimento ainda representaria apenas 6% do potencial técnico da geração solar fotovoltaica, de acordo com estimativas da área total disponível para essa fonte.

Biocombustíveis já com 90% das fontes renováveis aplicadas em transporte

Segundo a AIE, os biocombustíveis já representam cerca de 90% das energias renováveis ​​nos transportes e seu uso deve aumentar em 25% nos próximos cinco anos. O crescimento será puxado pela Ásia, principalmente pela China, e é impulsionado por questões de segurança energética e exigências de redução da poluição do ar.

Apesar da rápida expansão dos veículos elétricos, a eletricidade renovável representará apenas um décimo do consumo de energia renovável no transporte em 2024. E a parcela de renováveis ​​na demanda total de combustível de transporte ainda permanece abaixo de 5%. A AIE prevê que a parcela de energias renováveis ​​no transporte aumentem em 20% até 2024.

A geração de energia renovável destinada a aquecimento também deve aumentar em um quinto sua capacidade de geração até 2024, um crescimento impulsionado pelos mercados da China, UE, Índia e Estados Unidos. Mas permanece pouco explorado. Em 2024 a geração renovável destinada a aquecimento ainda deve estar abaixo de 12% do fornecimento total de energia para aquecimento.

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